Tipos de programadores

cafe_e_softwareDepois de um longo tempo (e coloca longo nisso), estou de volta. Farei o possível para postar ao menos um artigo por semana.
E para iniciar essa nova etapa do blog, ao contrário do esperado, não vou tratar diretamente sobre codificação, nosso assunto será um pouco mais profundo.
Já vou avisando que não existe verdade absoluta sobre o tema, tudo é com base na observação, em minha experiência profissional, nada cientifico.

Neste post, vou analisar e tentar classificar os tipos de profissionais da nossa área. Apesar de ter passado por diversas empresas de diferentes segmentos, pude perceber que os programadores seguem um certo perfil, quase previsível, em pouco tempo de convívio e certa experiência, já é possível identificar e “classificar” com qual profissional estamos lidando.

Lobinho

Talvez o mais comum dentre todos os que serão tratados aqui. O mercado está repleto deles, geralmente é procurado por empresas que pretendem pagar bem pouco e dar uma oportunidade de aprendizado ao lado de um outro profissional mais qualificado. O interessante é que o lobinho na maioria das vezes se sente inferiorizado por estas condições de trabalho, acha uma ofensa o salário pago pela empresa e mesmo sabendo que ainda não está preparado para conseguir uma vaga melhor na área, ele tenta. Na maioria dos casos, ele é barrado durante o processo de seleção ou em algumas semanas de trabalho. Neste ponto começam as críticas ao mercado, com alegações de baixos salários, mercado escasso, exigência de skills fora da realidade e outros.

Grande parte dos profissionais que se encaixam neste perfil acabaram de sair da faculdade, ou ainda estão terminando. No fundo, ele ainda alimenta a esperança de que as habilidade adquiridas serão suficientes para colocá-lo em uma posição privilegiada no mercado. Esquece que o ensino formal das faculdades apenas apresenta determinados conceitos e que o importante é aprofundar e literalmente se apaixonar por aquilo que escolheu.

lobinho tem o sonho de passar em um concurso público e nem precisa ser na área, já que o mercado está tão difícil, o negócio para ele é entrar em uma estatal e ficar tranquilo pelo resto da vida. Por nunca ter se aprofundado em nada, ele se acha um conhecedor de todas as áreas relacionadas a tecnologia, se precisar de um perito em segurança da informação, programador, hacker, design, arquiteto ou qualquer outra coisa, lá está o lobinho  para te dizer o que fazer, praticamente um gênio.

Esperto

Com certeza você conhece um programador esperto. Trata-se de um tipo especialista em encontrar soluções pontuais para situações pontuais. Um programador esperto resolve os problemas, sabe ler e aplicar um tutorial. Ele não se importa com os efeitos colaterais daquela solução, basta resolver. Um especialista no famoso padrão 3F (fez, funcionou, foda-se).

O esperto no final das contas custa caro para as empresas, apesar de acharem as soluções mais simples, se enrolam para solucionar problemas mais complexos que muita das vezes ele mesmo criou. Se você tem um pouco mais de experiência, já deve ter visto aquele bloco de foreach com querys aninhadas que funcionava para 20 clientes mas deixou de funcionar duas semanas depois quando esse número aumentou. Ele não se importa com o futuro.

O esperto ainda não tem certeza sobre o que quer fazer, por isso não se interessa por livros, artigos ou eventos da área. Acha que tudo pode ser resolvido na hora, sem grandes esforços. Não pensa a respeito de uma solução, prefere colocar a mão na massa e fazer acontecer. Não que o esperto seja um profissional ruim, em empresas que lidam com projetos simples que seguem uma mesma linha, o esperto pode até se dar bem, mas não exija dele algo mais complexo, que o faça pensar.

Um aspecto interessante dessa espécie e que muitos deles se veem flertados por cargos de gestão. Ele sabe de suas limitações técnicas e acham que isso poderia ser amenizado caso assumisse um cargo superior. O esperto costuma se dar melhor como gerente do que como desenvolvedor, sua habilidade ver tudo de forma simples (mesmo que nem sempre seja assim) pode se enquadrar na política de diversas empresas. Você já teve um chefe esperto?

Programador Deus

Um tipo difícil de encontrar. Esse é apaixonado pelo que faz. O programador Deus não gosta da empresa que trabalha, ele gosta basicamente de codar. Costuma ter um bom relacionamento com outros programadores, mas não fora desse ciclo. Defende com unhas e dentes sua linguagem de programação preferida, detentor de opiniões radicais, é praticamente impossível convencê-lo de algo, se recusa a aceitar opiniões divergentes da sua. Sente-se incomodado em ter que ensinar o que sabe aos outros, ele até ensina, mas o pulo do gato sempre estará com ele. Gosta de vangloriar aquilo que fez e menosprezar o que os outros fazem, se o assunto é código, o dele será sempre o melhor.
Mostre um sistema e ele sempre vai dizer que pode fazer um melhor. O caráter técnico se sobressaí a qualquer outra característica em seu ponto de vista.

Jamais, em nenhuma hipótese faça uma crítica ao trabalho desempenhado pelo programador Deus, se fizer, terá um inimigo pelo resto da vida. Prepare-se para discussões calorosas e intermináveis, errar é uma palavra que não está presente em seu dicionário. Chega a ser cansativo trabalhar ao lado dessa espécie, ele possui uma imaginação tremenda e sempre vai achar que a empresa conspira contra ele. Afinal, seu trabalho é perfeito e ninguém reconhece isso.

Já presenciei várias ocasiões onde este tipo de profissional é trocado por outro, que possui um conhecimento técnico inferior, mas uma flexibilidade e facilidade de relacionamento maior.

Cuidado com esta espécie, se alimentar corretamente seu ego, ele até pode se sair bem, caso contrário, prepare-se para uma bomba relógio.

Jedi

Rarissimo. Fui conhecer o primeiro Jedi depois de muitos anos de trabalho na área. Trata-se de um profissional diferenciado em todos os aspectos, o mais cobiçado pelas empresas. Jedi é o ponto mais alto que um desenvolvedor pode chegar. Facilmente identificado, sinta-se privilegiado ao trabalhar ao lado de um. Seu comportamento é quase sempre o mesmo, calmo, sabe bem transmitir o que pensa e não se importa em passar várias horas, mesmo que depois do expediente ensinando o novato. Ele conhece várias linguagens, já presenciou as mais diversas situações e sabe como evitar problemas.

Seu estudo vai além da programação, ele se importa com o dia-a-dia do projeto no qual está envolvido. Sempre com dicas de como melhorar as coisas, nunca evasivo, nunca tentando se sobrepor afinal, não precisa provar seu potencial. Quando outro profissional chega com uma dúvida, o jedi  enxerga a ajuda como uma forma de aprender mais, sempre com um papel e uma caneta para criar situações e ilustrar exemplos, sua visão vai além da programação. Sempre tem um livro ou um artigo a indicar. O Jedi evita discussões desnecessárias, não defende com vigor nenhuma linguagem ou forma de fazer as coisas, ele sabe a ferramenta certa para cada situação.

Conclusão

Identificar os profissionais ao seu redor é fácil, o difícil é enxergar onde você se enquadra e tentar evoluir. É normal ter um pouco de cada um descrito no artigo, o problema está quando você se acomoda e deixa seu orgulho tomar conta.

Você concorda com o texto? Que tipo de profissional você se considera? Deixe um comentário!

 

By | 11 de março de 2014 | | 12 Comments

12 Responses to Tipos de programadores

  1. Renan disse:

    Ainda sou novato na área, mas já vi alguns desses tipos. Mas com certeza, o desafio é perceber as próprias limitações que nos enquadram nesses perfis e ter a coragem de admitir e evoluir.

  2. Fernando disse:

    essa questão de “ensinar” é muito relativa.. as vezes é legal, mas nem sempre é uma boa ideia entregar de mão beijada o que vc ralou p aprender.

  3. Marcos disse:

    Um professor meu,certa vez disse:
    -Quem não ensina, jamais será promovido.
    O único problema de ser um “professor JEDI” é que se o cara for lesado das idéias, será muuuito difícil.

  4. VINICIUS disse:

    cara nao me identifiquei com nenhum…. e me identifiquei com todos ahdooahoahoaho

    to brincando … mais eu acho que eu tenho um pouco de jedi … e um pocuo de programador deus… odeio ter que ficar ensinando os outros…nunca gostei…ate ja tentei dar aula …porra puta tedio … um inferno …

    mais eu nunca fui de menosprezar ninguem … e muito menos ter dificuldade de relacinamento … por isso nao me identifiquei por completo com nada que tu colocou

    mais legal…gostei da analise…

    muito boa

  5. Ronaldo Paraiso disse:

    Na minha opinião todos os programadores tem um pouco de cada perfil citado acima e até de outros perfis não citado aqui, rotular é preconceito o ser humano é subjetivo ele não se define, hoje posso agir de uma forma e amanhã de outra, até mesmo essa minha opinião pode mudar daqui a um tempo.

    Sou Analista Desenvolvedor e tenho já 6 anos de experiencia na área já vi diversos trabalhei com diversos profissionais e é com base nisso que formei minha opinião acima.

    Até a próxima.

  6. Izaque Esteves disse:

    Fala parceiro! Muito legal seu post!

    Quando precisava de sua ajuda, você vestia a roupa de Jedi…

    Vou apresentar esse post aos meu alunos para discutirmos a questão comportamental.

    Grande abraço e sucesso, meu amigo!

  7. Eduardo disse:

    Ainda no 2º semestre da Facul me enquadro direitinho no ‘Lobinho’+’Esperto’, pouquinho de cada.

    Depois de 4 entrevistas para estágios sem sucesso, percebi que tem alguma coisa de errado em mim. Pesquisei em vários vídeos e googadas e eu tinha um modo errado de pensar, que era: “Estágio é para aprender e por em prática”. Hoje eu penso em dedicar mais em ser autodidata e correr mais em artigos, etc.

    Um belo exemplo é no projeto meu (github.com/duduindo/pounp) onde o código está uma porcaria, códigos repetitivos, procedural etc..

    Sem grana, – sem grana mesmo – graças a Deus encontrei o curso de PHP OO no teu site e realmente estou aprendendo PHP OO, estou tendo a lógica OO, finalmente!!!

    Obrigado. Em pouquinho e pouquinho vou me esforçar para se enquadrar ao perfil Jedi. Porque se eu conhece um perfil Jedi ia ficar muito agradecido.

    Obrigado Leandro!

  8. Leonardo da Silva Galvão disse:

    O compartilhamento de conhecimento sempre é valido. Incluindo o “pulo do gato”. Quem não passa o conhecimento fica preso na função porque este é o “único” que sabe dar procedimento ao serviço. Quem nunca escutou que “Fulano não foi promovido porque não tinha ninguém pra substituí-lo”? Você pode até ter uma certa garantia mas tbm corre o risco de não subir pelo que eu já citei, não tem um substituto.

  9. Caio disse:

    CURVEM-SE MORTAIS!
    Hahahahaha!

  10. André disse:

    no shit Sherlock!

  11. Leonardo disse:

    Poxa, ainda sou iniciante.

  12. Iorgen disse:

    Eae cara vai ter uma segunda aula desse devcast ae? ou já tem?

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